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Sábado, 31 de Julho de 2010

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Terça-Feira, 09 de Março de 2010

Brasileiras marcam presença em pesquisas na Antártica

Enfrentar o rigor das condições climáticas do continente mais gelado do planeta. O desafio tem atraído cada vez mais cientistas brasileiros a Antártica, em especial, as mulheres. A geógrafa Rosemary Vieira, por exemplo, integrou a equipe da expedição Deserto de Cristal, a primeira do Brasil a desbravar o interior do Continente Antártico, no final de 2008. Um marco na história da pesquisa no País, a viagem durou quase 60 dias, dos quais 45 em acampamento sobre o gelo.


Rosemary fez parte da equipe de quatro pesquisadores do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas (Nupac), do departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O grupo gaúcho saiu de Porto Alegre em 19 de novembro de 2008, e retornou em 18 de janeiro de 2009. 

 
A Antártica não tem habitantes permanentes, embora tenha uma população provisória de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares. Rodeia o Pólo Sul, e por esse motivo, está quase completamente coberta por enormes geleiras (glaciares).  É o Continente mais frio, mais seco, com a maior média de altitude e de maior índice de ventos fortes do planeta.


Apesar das condições adversas, na opinião de Rosemary, o esforço é compensador. “Foi uma grande surpresa, tinha muita coisa para pesquisar. Foram 45 dias de trabalho e, desses, 11 dias foram de tempestades, mas os dias que nós conseguimos trabalhar foram muito proveitosos”, ressalta a professora de geografia física. 

 
Muitos estudiosos consideram o Continente um grande deserto polar, pela baixa taxa de precipitação no interior. O nome da expedição (Deserto de Cristal) também faz referência à ocorrência dessa formação no platô Antártico, a região central mais elevada do Continente. Ali, ventos descem do platô em direção à periferia varrendo toda a neve precipitada, expondo o gelo sob a superfície.

 
A cientista destaca como resultado, o material coletado para auxiliar nos estudos sobre a morfologia e geologia glacial. “Fizemos coletas de sedimentos em vários pontos. Por meio dos depósitos deixados pelas geleiras faremos uma reconstrução do comportamento do manto de gelo da Antártica Ocidental. A partir daí, faremos a datação, para saber quando começaram os depósitos”, explica Rosemary.


As amostras coletadas na viagem foram enviadas para os laboratórios da Universidade do Maine, nos Estados Unidos, e serão analisadas com a participação de pesquisadores brasileiros. De acordo com a cientista, o grupo pretende voltar ao local em dois anos. “É uma pesquisa inédita para o Brasil em termos de geologia e complementará outras pesquisas que também fazem essa reconstrução do passado da Antártica”.


Fonte: Ministério da Ciência e Tecnologia

Créditos das Fotos: Google/ilustrativa

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